“O QUE SERÁ O AMANHÃ?”

 

O QUE SERÁ O AMANHÃ?


 PROFESSOR Marco Aurélio.

Instagram: @marcoaurelioprofessor

 

O Governo do Estado da Bahia firmou para amanhã, dia 26 de julho de 2021, o retorno das aulas presenciais na rede pública de ensino, ainda que o país atravesse uma pandemia com média diária de óbitos acima de MIL MORTES e percentual de população imunizada inferior a 19% (dezenove por cento).

Mais uma vez o passado explica o presente. Ao anunciar O QUE SERÁ O AMANHÃ?”, não me refiro ao dia 26/7, ao dia de amanhã, mas a um conjunto de posturas do passado recente do Brasil que teima permanecer, inclusive na prática de quem se diz democrático e até de orientação politico-ideológica de ‘esquerda’.

O QUE SERÁ O AMANHÃ? é verso eternizado no imaginário nacional oriundo da composição musical “O Amanhã”. Escrita em 1978, no Governo do General Geisel, antessala do período final da Ditadura Militar e de todos os seus males, este samba-enredo serviria naquela época de alento ao momento de transição do país para Democracia tão desejada e aguardada após o Golpe de 64. Foi o samba-enredo da ‘Escola de Samba União da Ilha do Governador’, autoria atribuída a Paulo Amargoso e a João Sérgio, este último nome considerado pseudônimo de Gustavo Adolfo de Carvalho Baeta Neves, o ‘Didi’.

Provavelmente, o maior acerto dos compositores desta música é a caracterização mística da esperança que propagavam naquela época, (“Leio a mensagem zodiacal / E o realejo diz / Que eu serei feliz / Como será o amanhã...” ), que igualmente refletia no desejo popular, anseio de esperança não realizada até hoje.

Tratava-se da expectativa de um país melhor por via da Democracia, pois naquele ano em que foi inaugurado este samba-enredo, 1978, o Brasil ainda estava sob o poderio militar e as regras para desfiles das escolas de samba se tornaram demasiadamente rigorosas, situação que mais levava o evento a parecer um desfile de ‘sete de setembro’ do que uma manifestação cultural do povo.

E por que persiste a lembrança viva deste verso no imaginário das pessoas? Porque ainda queremos saber “Como Será o Amanhã diante de um Brasil tomado no presente por militares em vários cargos de diferentes escalões federais, postos nestas funções por um mandatário democraticamente eleito,  porém com resultados pífios em gestão administrativa, eles não conseguiram responder eficientemente aos momentos críticos da crise sanitária mundial de 2020/2021, caminhamos para 550 mil mortes pela COVID-19.

E “Como Será o Amanhã no Estado da Bahia cuja Democracia tem feição fragilizada por posturas autoritárias de governantes e conivência silenciosa de muitos deputados/as estaduais e federais, ausência quase total de oposição? Um Estado que demonstra se afastar da Democracia quando permite vulnerabilidade social crônica de maior parte da população do estado, chacinas não resolvidas, violência contra a população negra e mais carente. Destaque-se que isso já era realidade antes mesmo da atual situação pandêmica.

Nós temos uma Democracia que não consegue inibir a perpetuação por décadas de pseudos-líderes operários que criaram regras estatutárias inacessíveis nas entidades de representação da Classe Trabalhadora para evitar uma renovação de quadros. Representantes sindicais que não agem combativamente em defesa da classe que representa, precisam ser instados com veemência para engendrar alguma reivindicação da categoria e, ainda assim, não se tem garantia de uma positiva operacionalização junto às reuniões patronais, de portas fechadas. Dirigentes que não despertam a consciência crítica continuamente, apenas reproduzem aspectos de uma relação colonialista, na qual se acham mercadores de interesses entre senhores de escravos e pessoas escravizadas, e isto certamente por alguma vantagem não explícita.

Amanhã, dia 26/7/21,  o Governo da Bahia espera que estudantes não vacinados compareçam  às unidades escolares e, para isso, muitos destes jovens farão uso do transporte público em grandes cidades baianas. Outros estarão dentro de ônibus escolares em condições duvidosas, entre a zona rural e escolas urbanas, ainda na Pandemia.

A outra face desta mesma moeda é que amanhã, dia 26/7/21, para atender ao chamado do patrão, trabalhadores/as em Educação ainda não imunizados terão que escolher entre a exposição ao vírus da Covid-19 com as  suas consequências (morte ou sequelas), ou optar pelos riscos de prejuízos funcionais e salariais caso não compareçam ao serviço. Vale lembrar que a única garantia que trabalhadores/as em Educação receberam dos eternos Dirigentes Sindicais de nossa Entidade até o momento foram discursos raivosos e notas de repúdios, nenhuma liminar judicial foi anunciada para garantir a nossa ausência ao serviço, greve não foi decretada. Ao que parece, estaremos por nossa própria conta.

 “Como será o amanhã

Responda quem puder (bis)

O que irá me acontecer

O meu destino será como Deus quiser”.

 Hora da Gente Mudar o Nosso Destino. Resistência e Luta Sempre!

PROFESSOR Marco Aurélio.

Instagram: @marcoaurelioprofessor

 OUÇA A MÚSICA: 


Fontes: https://especiais.g1.globo.com/bemestar/vacina/2021/mapa-brasil-vacina-covid/

https://novaescola.org.br/conteudo/4173/samba-enredo-1978-o-amanha

https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/nas-entrelinhas-o-amanha/

Acesso em 24/7/21, 23h07min.

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