FICÇÃO. SEM SALÁRIOS! UM CONFISCO NA CAPITAL DO VICE-REINADO!


 


 SEM SALÁRIOS! UM CONFISCO NA CAPITAL DO VICE-REINADO!

 

ESTRANHAMENTE, no século XVII, em meio a uma peste que matava muitos indígenas, pretos e mestiços, também as suas respectivas proles e familiares, o Vice-Rei da Capital reabriu liceus públicos e particulares sob autorização da Nobreza por ele representada.

Isso com o silêncio dos 'Homens da Fé' e a indiferença da 'Aristocracia Local', por que será?

Sem os citadinos entenderem bem a situação, uma vez que reabrir liceus em época de grave crise sanitária parecia atitude contraditória e incompatível aos próprios discursos de alerta proferidos pelo Vice-Rei naquele momento, a ordem danosa foi emitida: "Abram os liceus!"

Houve gritaria nos becos, ladeiras, travessas e vielas.  Liceus abertos e a peste ganhava certa força a cada dia, adoeceram ainda mais os habitantes daquele lugar, que também era Província.

O Vice-Rei  insistiu na abertura dos liceus ao passar das semanas e, para reforçar a sua posição, colocou o desconhecido 'BUFÃO REAL' para Administrar o Departamento de Instrução Local, personagem evidentemente sem aptidão algum para a função, mas que aproveitou o momento para falar, rir e gozar da sociedade a partir de declarações, deboches e anúncios escatológicos, era até possível concluir que algo se pretendia esconder ou desviar de foco, a exemplo de questões sérias e/ou acessórias trazidas pela peste vigente.

Tentariam  o Bufão Real e o seu Vice-Rei esconder o aumento de violência? Miséria extrema? Falência Pública? Mais mortes além das percebidas e contadas?

E assim... liceus seguiram abertos, plebe reclamou, revoltosos criticaram (e outros "revoltosos" encenaram a situação pelos favores de sempre). Contudo, a Nossa Irmandade,  desconhecida para alguns desta terra, que subsiste e resiste invisível nesta Província, não enviou o seu numeroso contingente de rebentos para os liceus públicos, afinal, a Vida é o Nosso Único Pertencimento.

Já a 'Baixa Nobreza', descendente do degredo e parte deste Vice-Reinado, arriscou enviar infantes para liceus particulares a fim de não perderem seus momentos de preguiça quando a brisa morna e vespertina soprar pela baía.

Mas... se a maioria de rebentos da cidade não foi para os liceus públicos, instrutores e instrutoras também não precisaram ir. Propagou-se a decisão da reabertura de prédios apenas no discurso do Vice-Rei e não na prática, ainda assim a medida aniquilante não foi revogada ao passar dos dias.

A peste galopeia,  porém mais lentamente! Pensa solitariamente o Vice-Rei ao contemplar o Forte. Enganou-se e tentou enganar a outros com tal ideia.

Três semanas correram desde a abertura dos liceus e chega o fim do mês. O Administrador do Paço declara para Sua Magestade: "A Banca quebrou, a peste continua a trazer mortes e crise para a Capital do Vice-Reinado."

- E os compromissos com os 'nossos'? Precisamos cumpri-los! Preciso do ouro para isso!  Disse o Vice-Rei com ar aparentemente dissimulado.

 E prosseguiu o Vice...

A saída é tirar o sangue de alguém para manter a "carne" dos 'nossos' já que a peste ainda nos assola.

Não deu outra, tiraram o sangue dos mestiços,  o Vice-Rei confiscou parte do pagamento da honrada gente que não compareceu aos liceus públicos para ensinar, porque ninguém para ensinar estava lá.

Desta forma,  o Vice-Rei quitou as faturas da Nobreza,  que permaneceu intacta como sempre.

Será que premeditou o Vice-Rei tudo isso? Mistério.

Liceus públicos abertos e vazios, peste avança, mortes, violência e miséria. 

A Província continua Província e a História continua a acontecer.

Professor MARCO AURÉLIO.  -  Instagram: @marcoaurelioprofessor

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